quarta-feira, 20 de setembro de 2017



Apresentação

Eu considero-me um privilegiado em ser apaixonado por ciclismo.
Enquanto os meus amigos vêem todos os jogos da liga portuguesa de futebol e da champions e passam horas a discutir se foi penalti ou não, eu prefiro mil vezes, sentar-me no sofá durante duas horas a ver uma chegada do Tour. Claro que os meus amigos não entendem, mas o ciclismo é a minha paixão desde que, com 12 anos fazia corrida de caricas com os nomes dos ciclistas do F.C.Porto, do Lousa Trinaranjus, do Sporting, do Feirense.

Lembro-me de quando era miúdo ficar à espera do correio, todos os dias o carteiro além das cartas trazia o jornal (outros tempos) e eu ficava ansiosamente à espera dele, mal chegava corria para ir buscar o jornal e abria sofregamente na página de desporto, para saber como é que Joaquim Agostinho, o meu primeiro ídolo, tinha ficado na etapa do dia anterior no Tour. Agostinho, Mercx, Zootemelk, grandes nomes daquele tempo que eu conhecia só de nome pois no jornal trazia sempre a fotografia do campeão português e na  tv raramente dava ciclismo e quando dava eram curtos resumos.
Passaram os tempos e chegou a TV espanhola à minha cidade. Fiquei estupefacto ao assistir à minha 1ª Vuelta pois na TVE já davam os últimos kms em directo e finalmente podia aliar os nomes aos ciclistas. Na altura a prova espanhola era em Março e eu tinha escola, mas arranjava sempre maneira de poder ver as emissões. Marino Lejarreta era o meu ídolo, o ciclista espanhol, que nunca era o favorito e se escondia atrás do pelotão, mas que mal a estrada começava a empinar surgia de lá detrás e estava na discussão da etapa. Venceu a prova em 1982 e perdeu para o favorito Bernard Hinault no ano a seguir. O mesmo Hinault que dominava no Tour mas que via aparecer um americano a roubar-lhe o protagonismo. Nesse ano, Bernard Tapie, o presidente do Marselha criava a primeira super equipe de ciclismo, a La Vie Claire juntando Hinault e Lemond e a partir dai o ciclismo nunca mais seria o mesmo.
Adorei a vitória de Álvaro Pino na Vuelta, um galego que morava a poucos quilómetros do meu Minho. Acompanhei o aparecimento dos primeiros grandes Colombianos, Luis Herrera e Fábio Parra. Em 1991, vi  Miguel Indurain vencer o meu Lejarreta na luta pelo segundo lugar e nunca mais pude com ele, nos 5 Tours que ele venceu, eu era sempre pelos outros. O vencedor desse ano, foi Melchor Mauri que mais tarde correria no Benfica. Desses tempos guardo a única grande rivalidade que vi no ciclismo, Once X Banesto. Não sei porquê mas eu sempre fui pela Once.
Acompanhei o domínio Suíço na Vuelta nos anos noventa, com Tomy Romminguer e Alex Zulle a conseguirem 5 vitórias, mas foi nessa altura que tive o meu terceiro ídolo, Laurent Jalabert. "Jaja" era o maior! O único sprinter que deixou de ser sprinter e venceu uma Vuelta a Espanha. Aquela etapa em 1995 em que ele oferece a vitória a Bert Dietz da Deutsche Telekom foi épica.
Poderia continuar por ai fora e falar de Roberto heras, Jan Ullrich, ou José Azevedo, mas vou terminar este trecho com o 4º ídolo da minha vida, aquele que para mim é o melhor ciclista da actualidade. Alejandro Valverde. Enquanto "Bala" correr eu serei sempre por ele, porquê?
Porque é o maior!

Nota: Este blogue é para satisfação pessoal, não estou nada preocupado se alguém o lê ou não, por isso nem me vou dar ao trabalho de o publicitar em algum lado.
Se por acaso alguém o ler, comentários serão sempre bem vindos, porque se alguém algum dia o estiver a ler é porque de certeza que tem a mesma paixão que eu.
Viva o Ciclismo!

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