quinta-feira, 31 de maio de 2018




Critérium Du Dauphiné: Apresentação da prova


📅 3 a 10 de Junho
🚩 Prólogo + 7 etapas
🚴 951 Km

⏱ Prólogo + 1 contra-relógio colectivo
🚴  1 etapa ao sprint
🚵🏻  1 etapa de média montanha (colinas)
🏔    4 etapas com final em alto
⛰  26 portos de montanha
   
O Critérium du Dauphiné, começa este domingo com um curto prólogo em Valence. A prova francesa, juntamente com a Volta à Suiça, são as duas grandes provas de preparação para o Tour de França que começa praticamente um mês depois.
Com 951 Km de extensão, a prova reparte-se em duas partes completamente distinta, uma primeira onde os contra-relogistas e os roladores serão os protagonistas e um final com as últimas quatro etapas todas com chegadas em alto, onde vão se evidenciar os trepadores. No ciclismo, não há certezas e muitas coisas podem acontecer, mas coisa é certa, para vencer o Dauphiné, tem que se ser um grande trepador.

Percurso:


O Critérium du Dauphiné, é considerada uma das mais duras provas de uma semana do calendário do WorldTour. Começa, com um prólogo, unicamente para apresentar os ciclistas e ordenar uma classificação, pois os pouco mais de seis quilómetros não devem proporcionar grandes diferenças de tempo entre os melhores. Segue-se uma etapa de média montanha propicia a fugas, e outra para os sprinters, antes do contra-relógio colectivo que pode fazer muitas mossas em alguns dos candidatos à vitória final. A partir daí o percurso muda radicalmente, com as últimas quatro etapas a terminarem em alto, o que promete emoção até ao ultimo metro.




PRÓLOGO: Valence -  Valence  (6,6 Km)


A prova começa com um curto prólogo em Valence. São 6,6 km totalmente planos onde não se esperam grandes variações de tempo entre os primeiros, mas um dia mau de um candidato, pode desde logo comprometer o resto da prova.


Etapa 1: Valence -  Saint-Just-Saint-Rambert (179 km)  


A primeira etapa da prova leva os ciclistas até Saint-Just-Saint-Rambert. São 179 km de extensão, onde é difícil encontrar uma secção em terreno plano. É uma etapa que faz lembrar as Clássicas da primavera, com muitas colinas, antes de um circuito final com 12,2 quilómetros que será percorrido por duas vezes onde se encontra a ultima dificuldade da prova, a subida ao reservatório de Grangent (1,3 quilómetros a 4,5%) que fica a 4 km do final. É uma etapa propicia para as fugas, embora, não seja de excluir uma chegada em grupo. Mas, no meu ver, o cenário mais provável, é um atque na subidinha final com os especialistas em Clássicas a brilharem (Alaphilippe, Benoot, ou mesmo Nibali).


Etapa 2: Montbrison> Belleville (180,5 km ) 


A segunda etapa do Critério do Dauphiné, leva os ciclistas de Montbrison até Belleville, na região de Beaujolais.  São 180,5 quilómetros com um inicio muito suave até aos 80 km, altura em que aparece a primeira dificuldade do dia, o Col de Cambuse (5 km a 4,6%). É o começo de uma secção mais montanhosa de 64 quilômetros, onde terão que ultrapassar, o de Cro de Marchampt (4,9 km a 5,2%), o Côte de Régnié-Durette (1,4 km a 5,4%), o Col de Crie (4,9 km a 4,3%) e o Col du Fut d'Avenas (3,8 km a 6%). A uma altitude de 740 metros, o Fut d'Avenas é o ponto mais alto do dia e fica a 30 quilómetros da meta. A parte final é quase sempre em descida até Belleville. É a unica oportunidade para os sprinters vingaraem, pelo que Quick-Step, Sunweb e Bora devem controlar os ataques para planearem o sprint final.

Etapa 3: Pont-de-Vaux> Louhans-Châteaurenaud (35 Km)


Ao quarto dia temos o contra-relógio colectivo, com um perfil e uma distância muito similar ao que as equipes vão encontrar no Tour de França. Será o último CR por equipes antes do Tour e todas as equipes irão fazer os ajustes necessários, tanto a nível aerodinâmico como de sincronização para se apresentarem na Grand Boucle na máxima força. É uma etapa decisiva para os candidatos à vitória final, pois o tempo perdido nesta etapa e facilmente a BMC e a Sky ganham um minuto à concorrência terá que ser compensado nas duras etapas seguintes.

4 Etapa 4: Chazey-sur-Ain Lans-en-Vercors (181 km) 


A quarta etapa, marca a mudança radical do percurso deste ano do Dauphiné. Se até aqui, os dominadores eram os contra-relogistas e os roladores, a partir de agora serão os trepadores a dar cartas. 
Os primeiros 50 quilómetros são completamente planos mas, em Aoste, começam as dificuldades, primeiro com uma série de pequenas colinas até chegar ao Col du Mont Noir.



uma subida de 17,5 quilómetros a 6,9% com a secção mais dura do quilometro 4 até o quilômetro 9 com uma média de 8,9%. Será a altura decisiva da etapa, pois o final em Lans-en-Vercors é bem mais suave com 4,8 quilómetros de comprimento e uma média de 7,5%, embora contenha rampas de dois dígitos no início e na metade da subida. 

Etapa 5: Grenoble -  Valmorel (130,5 km) 


A quinta etapa da prova, é daquelas etapas chatas de ver na TV até aos 20 quilómetros finais, onde aparece a durissima subida para Valmorel. Provavelmente vão suceder fugas durante a etapa, que serão apanhadas ou antes, ou durante a subida final que tem 12,7 quilómetros de extensão e uma média de 7%. É uma subida constante com a segunda metade ligeiramente mais íngreme que a primeira. Os últimos 700 metros tem apenas 4% de inclinação.

Etapa 6: Frontenex> La Rosière (110 km) 


A penúltima etapa do Critérium du Dauphiné, será a mesma que os participantes vão encontrar na 11º etapa do próximo Tour de Franca. É uma etapa curta, com apenas 110 quilómetros, mas com duas subidas de categoria especial e um final espectacular em La Rosière. A primeira grande subida, é o Montée de Bisanne, com os seus 12,4 quilómetros a 8,1% de inclinação. Os ciclistas descem depois até Beaufort, onde começa nova aventura, o Col du Pré, mais 12,6 quilómetros a 7,6%, com os últimos 2 quilómetros a mais de 10% de inclinação.


A subida final para La Rosière é de 17,6 quilómetros, com um gradiente médio é de 5,8%. A seção intermédia é aparte mais dura da subida, com 8,2% durante 6 km, antes de se estabilizar nos 4,6% nos últimos 4,3 quilómetros. 

Etapa 7: Moûtiers> Saint-Gervais (129 Km)

A última etapa do Critério do Dauphiné tem o potencial de abalar o geral. São 136 quilómetros até Saint-Gervais Mont Blanc. Duas enormes subidas intermédias antes da ascensão final, com 9,8 quilómetros de comprimento auma média de 8%. Após o início em Moûtiers, dirigem-se para Bourg-Saint-Maurice, onde começou a última subida de ontem para La Rosière, só que agora fazem em sentido contrário. A subida é de 19,3 quilómetros e o gradiente médio é de 6%. A descida está do lado da subida de ontem. Em Beaufort, os ciclistas, dirigem-se para o Col des Saisie, com 15,1 quilómetros  uma inclinação constante de 6,4%. Esta foi a primeira subida da etapa final do ano passado, quando Chris Froome colocou tanta pressão sobre o líder Richie Porte que ele ficou isolado, o que levou Jakob Fuglsang a vencer a Geral. 
 A última subida consiste em dois módulos. A primeira parte é a afiada Côte des Amerands de apenas 2,7 quilómetros a 11,2% e após uma descida insignificante, continua a subir para a chegada Saint-Gervais Mont Blanc. Essa última subida é de 7 quilómetros e uma média de 7,7%, embora haja rampas de 15% no início e a 2,8 quilómetros antes do topo. Os últimos 200 metros são durissimos.
Foi nesta subida que Romain Bardet, debaixo de chuva, atacou sozinho em 2016 para garantir o segundo lugar final no Tour.

Favoritos:

Teoricamente e no ciclismo a teoria não vale nada, (se a três dias do fim do Giro, tivessem apostado comigo 1 milhão de euros que o José Gonçalves ficava à frente do Simon Yates, eu apostava sem ver e hoje em vez de estar a escrever isto, estava pendurado no tecto com uma corda ao pescoço), mas em principio, os trepadores das equipes mais fortes no CR colectivo tem vantagem, pois podem chegar às quatro etapas finais, já com mais de 1 minuto de vantagem. Assim sendo, o meu grande favorito à vitória final é, Romain Bardet, que corre em casa e tem atrás dele uma super equipe da AG2R, que o vai ajudar muito na montanha, embora não seja tão forte como a Sky e a BMC no CR colectivo.
Geraint Thomas, tem para mim a melhor equipe da prova e como é um bom contra-relogista, pode chegar aos Alpes com uma boa margem sobre os outros favoritos. Veremos depois como se defende na alta montanha, onde Ilnur Zakarin, vai ser um dos protagonistas. O ciclista da Katusha é outro dos grandes candidatos à vitória final, pois planeou toda a época para estar no Tour a 100% e não deve perder muito tempo no CR.

Um bocadinho atrás está Vincenzo Nibali, penalizado pelo CR mas que tal como Bardet, Zakarin e Martin definiu o Tour como o seu grande objectivo da época. Daniel Martin, (um dos meus ciclistas preferidos) tem dois contras, primeiro ter assinado pela equipe árabe foi um desastre, tal como Aru, parece que regrediu cinco anos (não sei se tem a ver com o doping, os árabes, não bebem vinho e se calhar também são contra aquelas coisinhas que fazem a diferença nas subida.... não sei) e segundo, o CR colectivo, onde facilmente a UAE perde mais de 2:00" para a Sky. Para vencer, Martin, vai ter que atacar muito nas ultimas quatro etapas.

Adam Yates é outro dos grandes favoritos à vitória final. Se estiver na forma que estava o seu irmão gémeo no Giro, ainda vence as quatro etapas de montanha e chega isolado dos restantes colegas de equipe no Contra-relógio colectivo.
Uma coisa é certa, para vencer este Dauphiné, tem que se ser um grande trepador e como tal, para mim, os candidatos à vitória final ficam por aqui.

A luta pelo Top 10 vai ser intensa, pois existem muitos candidatos e em excelente forma. Mikal Kwiatkowsky, que também beneficia dos dois CR é um deles, mas Julian Alaphilippe, Bob Jungels e Marc Soler de certeza que não lhe vão facilitar a vida.

Tiesj Benoot, Pello Bilbao, Warren Barguil, Pierre Latour, David Gaudu, Jaime Roson e Emanuel Buckmann, são os outros candidatos a entrar no top10.

Portugueses:

Rúben Guerreiro, é o único ciclista português à partida em Valence. O jovem talento da Trek, não me parece ter o perfil ideal para este tipo de prova com muita montanha, pelo que tentará aparecer nas primeiras etapas e ao mesmo tempo ganhar ritmo para o Tour, onde ai sim, pode surpreender numa ou noutra jornada.

As minhas apostas:



Romain Bardet



 Ilnur Zakarin, AdamYates, Geraint Thomas




Vincenzo Nibali, Daniel Martin, Bob Jungels,




Mikal Kwiatkowsky, J. Alaphilippe, Marc Soler, E. Buckmann




Tiesj Benoot, W. Barguil, P. Latour, Pello Bilbao, Damiano Caruso





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