quinta-feira, 28 de junho de 2018
Alejandre Valverde; Chego ao Tour como desejava
Quem me conhece sabe que o meu grande ídolo é desde há muitos anos, Alejandro Valverde. Para mim, é o ciclista mais completo desde Eddy Merkcx e sempre que participa em alguma prova tem o meu apoio incondicional.
Quando está prestes a iniciar o seu décimo primeiro Tour , um ano após uma grave queda no prólogo da prova francesa que quase lhe pôs fim à carreira, "Bala Verde" deu uma grande entrevista ao jornal "Marca" que transcrevo aqui na integra.
1) A ÉPOCA
"O saldo até agora é óptimo, não apenas pelos resultados, mas também, sobretudo, pelo que passei após aquela queda séria no ano passado. Em Mallorca já comecei com boas sensações e então as vitórias começaram a aparecer. Já são 11, venci as quatro voltas por etapas que entrei... portanto, a temporada até agora está a ser perfeita. "
2) PREPARAÇÃO PARA O TOUR
"Após a Liège-Bastogne-Liège, eu precisava de um descanso físico e mental e fiquei sete dias sem tocar na bicicleta, depois, comecei a treinar suavemente em casa e no dia 17 de Maio parti para Sierra Nevada. Para mim a altitude não é um grande benefício, é principalmente uma mudança de ares, ficar relaxado e treinar duro. Eu tenho portos de montanha perto de casa, mas os de longa distância ficam longe, por isso em Sierra Nevada aproveitei para acumular muita altitude com portos de 45-50 minutos. Estive lá até 3 de Junho só que nos últimos dias apanhei uma constipação e então, optamos por correr a Occitania ao invés da Volta à Suíça.
Eu vou chegar ao Tour de forma semelhante a outros anos, talvez com um pouco menos de competição, o que me deixa mais fresco, pois especialmente depois das Ardenas eu competi pouco. Foi bom para mim, porque o final do ano vai ser muito carregado, com a Vuelta a Espanha e os Mundiais que é um dos meus grandes objectivos.
3) OBJETIVOS
"Chego ao Tour como queria. Depois de ver as sensações que tive no Tour de Occitanie onde competi com Dani Navarro e Elissonde que estão em grande forma na montanha e eu estive com eles sem problemas, o que me faz pensar que estou muito bem. A queda do ano passado não tem que vir à minha cabeça no início do Tour, será especial voltar ao Tour novamente, mas não por causa da queda. Estou focado no que temos que fazer e quero fazer bem. Vou com o papel de trabalhar para o Nairo e o Mikel, mas se a corrida o proporcionar e tiver chances de estar à frente eu tenho que encarar essa responsabilidade e cumprir. dando o meu melhor. Eu acredito que com a condição física que estou neste momento, posso estar à frente ”.
4) RIVAIS
"Claro que o favorito número 1 é Froome. Vem de ganhar o Giro e claro que está mais desgastado, mas ele tem potencial e experiência suficientes para conseguir dois grandes sucessos seguidos, como já o fez no ano passado. Ciclistas como Roglic, Porte, Dumoulin, Nibali, Bardet, Urán ... com certeza que estarão na frente e também temos que tê-los em conta. Acho que a corrida deste ano será mais aberta, porque Froome não esteve no Giro tão superior como em outras ocasiões. Viram-se-lhe debilidades e só decidiu a corrida nos últimos dias.
5) EQUIPE E CONFLUÊNCIA DE LÍDERES
"Não haverá problemas na equipe, o entendimento será perfeito. Este Tour, pelo seu percurso, é propício para ter três trunfos. Há etapas curtas, emboscadas ... atacando com um na frente pode fazer danos aos rivais e criar incerteza, temos que jogar com esses factores. Não sei se vamos ganhar, mas de certeza que vamos dar espectáculo.
A equipe é tudo, tu podes estar muito bem, mas se não tens um bom apoio é muito difícil conseguir algo, não só no Tour, mas em qualquer corrida. Creio que vamos todos começar muito concentrados e nas melhores condições possíveis ".
6) ANÁLISE DA EQUIPE
" Nairo já todos conhecemos. É um corredor para ganhar o Tour. Não há necessidade de ficar obcecado, mas tem pernas. Landa tem estado sempre na sombra de outro líder, mas tem demonstrado que têm qualidade para ganhar uma Grande Volta. Erviti para mim é importantissimo. Um grande companheiro com quem compartilho o quarto. É todo sabedoria, não só na corrida, mas também fora dela. Dá-me grande paz de espírito, porque estuda muito bem as etapas e a seu lado parto sempre mais confiante. Rojas, é um corredor muito versátil. Pode te ajudar nas etapas de vento, é importante para te recolocar no pelotão, em pavé ou na média montanha, e aguenta mesmo quando só sobram 30 ciclistas na alta montanha. Amador e Soler são corredores que temos de economizar mais, porque, além do pavé, nos dias de média montanha e montanha podem nos ajudar quando a seleção for feita e já estivermos poucos na frente. Bennati é 100% fiável. Tê-lo ao teu lado te dá muita tranquilidade. Nos primeiros nove dias com vento, chato, pavé ... nos dará muita serenidade ".
7) PERCURSO
"Gosto do percurso. Para a equipe que temos, acho que é perfeito. Não tem muito contra-relógio e o que tem é muito duro. Para o contra-relógio por equipes temos um bom bloco para não perder muito tempo. Até a etapa de pavé será um teste de sobrevivência. Temos que tentar estar na frente, ter sorte de não cair ... e assim que a montanha chegar, estarmos lá. Há portos míticos, etapas inéditas e, acima de tudo, a etapa de 65 km, onde quem tiver um dia mau pode perder tudo O contra-relógio final é muito exigente, não é só para os especialistas, os trepadores que cheguem lá em boas condições podem fazê-lo bem.
Tenho visto algumas etapas, especialmente o pavé, que era importante reconhecer. Também vi o contra-relógio e as etapas que coincidiram no Occitanie, mas eu não sou um corredor que goste particularmente de estudar as etapas, é importante, mas também é importante estar calmo, treinando e descansando bem ".
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